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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Sinfonia nº 3 “A Escocesa”, de Mendelssohn

No dia 30 de Julho de 1829 Mendelssohn começou a compor a sua Sinfonia nº 3, que também foi por ele designada e ficou a ser conhecida como “A Escocesa”.


A Sinfonia nº 3, em lá menor, op. 56, conhecida como “Sinfonia Escocesa” começou a ser composta durante a primeira viagem de Mendelssohn à Grã-Bretanha. Esta sinfonia, com 4 andamentos, foi dedicada à rainha Vitória I do Reino Unido. Apesar do título, é discutível que alguma das melodias desta obra derive do folclore escocês. Mendelssohn era inimigo das denominadas "músicas nacionais" e só no scherzo podem ser encontradas reminiscências dos ritmos típicos das canções escocesas.
A primeira das 9 visitas que o compositor fez às Ilhas Britânicas começou em Abril de 1829. Foi incentivado pelo seu professor de composição a abandonar a provinciana Berlim e a ver o mundo. O seu pai concordou e Mendelssohn partiu para Londres. De início a capital britânica foi desconcertante. “É pavorosa! É louca! Estou atordoado e confuso! Londres é o monstro mais grandioso e complicado que o mundo tem para oferecer.”
Mas depressa se habituou a Londres. A sua música foi calorosamente tocada e recebida. Uma interpretação da sua primeira sinfonia transformou-o em favorito do público britânico e, a partir daí, considerou a Inglaterra a sua segunda pátria. No Verão, Mendelssohn foi de férias à Escócia. Primeiro foi a Edimburgo, onde visitou as ruínas da capela onde a rainha Maria Stuart tinha sido coroada. Foi aí que Mendelssohn teve a ideia de gravar, numa sinfonia, as suas impressões sobre a Escócia. Escreveu os primeiros 16 compassos da introdução, que contém o material melódico principal do primeiro andamento.
O compositor estava encantado com a Escócia. Visitou Glasgow, Perth, Inverness e conheceu Sir Walter Scott, do qual tinha lido a totalidade das obras. A Sinfonia Escocesa só foi concluída em Janeiro 1842, não tendo sido publicada em partitura completa até ao ano seguinte. Foi estreada no dia 3 de Março de 1842, com o próprio compositor dirigindo a Orquestra de Gewandhaus de Leipzig.
Sinfonia nº 3 “A Escocesa”, de Mendelssohn
Orquestra Sinfónica de Londres
Maestro: John Eliot Gardiner

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Isaac Stern – Violinista ucraniano

No dia 21 de Julho de 1920 nasceu em Kremenetz, na Ucrânia, o violinista Isaac Stern.


Foi levado para San Francisco com menos de um ano – e foi naquela cidade americana que fez toda a sua aprendizagem musical. Deu o seu primeiro concerto com orquestra aos 11 anos e aos 23 teve um estrondoso sucesso no mais faustoso e exigente palco dos Estados Unidos, o Carnegie Hall. Foi mesmo, durante muitos anos, presidente do Carnegie Hall.
Virtuoso deslumbrante, trabalhador incansável da arte do violino, Isaac Stern emprestou a sua técnica e sensibilidade musical incomparáveis a quase todos os grandes compositores da grande música. Gravou ao todo, mais de cem discos.
Mas além de extraordinário violinista, Isaac Stern foi também um cidadão de elevado sentido humanista: Ficou célebre a sua recusa de tocar com o maestro Herbert von Karajan, em virtude da simpatia nazi do célebre regente da Filarmónica de Berlim, um maestro com quem qualquer músico pagaria para tocar.
Honrando a sua ascendência judia, Stern deu, graciosamente, um memorável concerto em Jerusalém em 1967, na comemoração da paz que se seguiu à Guerra dos 6 Dias. Executou magistralmente um Concerto para Violino e Orquestra de Mendelssohn, acompanhado pela Orquestra Filarmónica de Israel, sob a direcção de Leonard Bernstein. A performance, de resto, fez parte do filme “Uma Jornada em Jerusalém”.
Este prodigioso músico, que morreu em Nova Iorque a 22 de Setembro de 2001, tendo sido o único grande violinista que fez toda a sua formação na América, viu a sua condição de “cidadão do mundo” reconhecida quando o governo chinês, para assinalar a sua abertura política em 1979, o convidou expressamente para se deslocar à China e interpretar um momento histórico que ficou registado no célebre documentário “De Mao a Mozart”.
Excerto do Concerto para violino, de Mendelssohn
Violino: Isaac Stern
Orquestra dos Concertos Gebouw de Amesterdão
Maestro: Bernard Haitink

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Pierre Dervaux - Maestro, compositor e pedagogo

No dia 3 de Janeiro de 1917 nasceu em Juvisy-sur-Orge o maestro, compositor e pedagogo francês Pierre Dervaux.


Estudou contraponto, harmonia e piano no Conservatório de Paris. Entre 1947 e 1953 foi maestro principal da Opéra-Comique e, de 1956 a 1972, desempenhou o mesmo cargo na Ópera de Paris, onde dirigiu a estreia do “Diálogo das Carmelitas”, de Poulenc. Foi, também vice-presidente dos Concertos Pasdeloup, presidente e maestro principal dos Concertos Colónia, director musical dos Países do Loire e da Orquestra Sinfónica do Quebeque.
Como professor, Dervaux ensinou na Escola Normal de Música de Paris e no Conservatório de Música do Quebeque. Foi presidente do júri no concurso internacional de maestros, de Besançon. Como compositor, escreveu duas sinfonias, dois concertos, um quarteto para cordas, um trio e várias canções. Foi-lhe atribuída a Legião de Honra e a Ordem Nacional de Mérito.
Pierre Dervaux morreu no dia 20 de Fevereiro de 1992.
2º Andamento da Sinfonia nº 4, “Italiana”, de Mendelssohn
Orquestra Filarmónica de Hamburgo
Maestro: Pierre Dervaux

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Felix Mendelssohn – Pintor, escritor, organista, pianista, maestro, violinista, professor e compositor

No dia 4 de Novembro de 1847, morreu, em Leipzig, o compositor alemão Felix Mendelssohn. Tinha nascido no dia 3 de Fevereiro de 1809, em Hamburgo.


Foi uma das figuras mais importantes do início do período romântico e um homem com dotes excepcionais: um bom pintor e escritor, um soberbo pianista e organista, um bom violinista e maestro e, principalmente, um grande compositor. Começou a estudar piano com a mãe e, mais tarde, com Ludwig Berger, altura em que se revelou um compositor bastante precoce. Em 1816, o pai viajou para Paris, levando Felix consigo. Na capital francesa recebeu aulas de piano. Mas o mais importante professor de Mendelssohn foi Karl Friedich Zelter, que o orientou a partir de 1819, dando-lhe aulas de composição e transmitindo-lhe o seu amor por Bach. Terminada a fase de formação, os anos seguintes seriam marcados por viagens e pelo seu trabalho em prol da difusão da obra de Bach. Aos 20 anos, prestou um inestimável serviço à humanidade, fazendo ressurgir a obra de Bach, depois de 100 anos de esquecimento. Durante a adolescência, escreveu várias composições, entre as quais cinco óperas, 11 sinfonias para orquestra de cordas, concertos, sonatas e fugas.

Com apenas 17 anos, compôs o acompanhamento musical para uma peça de Shakespeare: “Sonho de uma Noite de Verão”. Ainda hoje, esta é uma das suas obras mais reconhecidas e divulgadas e surpreende a maturidade de composição que o jovem compositor já revelava. 
Na sua música, Mendelssohn observou os modelos clássicos e os aspectos-chave do romantismo. O seu movimento artístico exaltou os sentimentos e a imaginação, sobrepondo-se às formas rígidas e às tradições.
O excesso de trabalho e o choque da repentina morte da irmã Fanny (também ela compositora), em Maio de 1947, resultou na sua própria morte, no dia 4 de Novembro desse mesmo ano.
1º andamento do Concerto para violino e orquestra, de Mendelssohn
Violino: Janine Jansen
Orquestra Sinfónica da BBC
Maestro: Sir Roger Norrington